47anos maragataba

47

Nasci

Por que?

Pra que?

Expiação

Sacanagem, só!

Cheguei à luz

Atravessei a fenda

Respirei o ar fétido

De suor, dor e trabalho

Foi um parto!

Fui um parto!

Sou um parto!

No movimento eterno

Do ar entrando e saindo dos meus pulmões

Retiro indulgências, sopros de perdão

Afogo esses anos vividos

Em lembranças de futuro

Se pago caro para viver

É porque não aceito produto medíocre

Ao meu redor fantasmas bailam

Mostram suas línguas em insultos

Arrancam a febre dos meus sonhos

Rasgam projetos antes sonhados

Oferecem seus colos na calada dos meus prazeres

E sem que eu perceba

Partem com seus risos sinistros

Deixando-me só, tão nova mente

Ah… por que atravessei aquela fenda?

Ah… quantas vezes quis voltar!

Não há como! Devo expiar!

Respiro o ar carregado da fumaça

De muitos e muitos cigarros

Trago, mais um alívio agitado

Trago a placidez de um furacão

Abaixando ou levantando a cabeça

Estufando o peito ou deitado em posição fetal

Toco em frente…

Afinal, nasci!

E quero dizer ao mundo

Um sem sentido de palavras

As tintas, as louvo

Ficarão por um tempo aí nesse mundo

Hospedadas em olhares angustiantes

E tornarão pó, como eu, como nós

Restará a magia de um olhar atento

Uma interrogação marginal

Uma dúvida besta, alegria até

De cores que combinei

De formas que tinha visto

Desde antes nascer

E tudo se acabará

Como se nunca tivesse começado

 

 

Ouvindo: Mozart

 

 

Sou um humanoide ansioso por descobrir minhas origens e destinos. Sou um ser ambíguo, dual e controverso. Quero partir, mas ficar. Sou apenas um artista, um ser criador de seres.
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