Bandeira do Brasil - maragataba

Brasil

Acordei de sono
Fui me olhar no vaso
Escovei as orelhas
Penteei os olhos
Lavei os dentes
E mijei no espelho
Percebi que não ouvia, nada ouvia
Lavei melhor meus cabelos
Liguei a geladeira
Eram tantos universitários
Erguiam medalhas, ostentavam diplomas
O presidente atrás das grades
Bradava homofoprérios
Aquele outro em seu palácio
Lamentava sua pena
E brandia suas penas
Debrucei-me na torta porta
Na rua, multidões de robozinhos
Arminhas nas mãos e sorrisinhos contrafeitos
Chutavam livros e esquartejavam velhinhos
Nos prédios, apáticos doutores
Salpicavam lágrimas em seus laptops
Na TV, smarts e fones
Bocejos de crianças
Mães febris e pais efêmeros
Boicotavam as redes sociais
Fiz arte como cidadão de bem
Trabalhei como um comuna-maníaco
Estuprei ouvidos ignorantes, latejaram-se
Pestanejei ao debulhar das favas
Cantei o hino das heresias malditas
E conclamei esse rebanho emagrecido
Mas o povo, lá noutro sono
Levantava, acordava
Se olhava na privada e cagava no espelho

Sou um humanoide ansioso por descobrir minhas origens e destinos. Sou um ser ambíguo, dual e controverso. Quero partir, mas ficar. Sou apenas um artista, um ser criador de seres.
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