fotografia de maragataba

Homem

Cansei-me! Ôxe!

Filho de bom alagoano

Sangue quente, cheio de si

Devo não mais hora passar

A teto olhar, em bem querer

Desarrumo, aprumo, aconteço

E sigo sendo muito mais eu

Caboclo bom, forte

Riso doce, encanto melancólico

Feito de intensa dor, intensa paixão

Intensidade tal pra qual não há

Entendimento alheio

Cansei-me! Ôxe!

Levanta homem! Olhe em frente!

Há um sem fim de gente

A sonhar com tu, cabra valente!

Gosto, desgosto, desassossego

Pra que tanto aperreio?

Tem espelho não caboclo?

Olhe passado, sonhe futuro

Que presente nada é

Senão um passo atrás

Outro mais a frente

Ôxe! Deixe de ser homem não!

Cabra macho! Desassossegado!

De vida feita em febre

De arte feita em coração de paz

Olhe aí pra seu lado! Visse?

Descansasse homem?

Pois siga teu caminho, bravo!

E deixe esse rastro de quem tu foi

A quem se importe, de coração

Siga teu caminho, bravo!

A não mais hora passar

A teto olhar, em bem querer

Ôxe! Sou mais eu, do mesmo eu!

E sigo só, de peito aberto

Venha flecha, tiro, abraço

Venha dor, amor e arte

Cá me firmo, sujeito homem

Carcará que pega, mata e come!

 

Foto de Marcia Ulls
Crédito foto: Marcia Ulls

 

 

Ouvindo: Som da madrugada em meu próprio coração

Sou um humanoide ansioso por descobrir minhas origens e destinos. Sou um ser ambíguo, dual e controverso. Quero partir, mas ficar. Sou apenas um artista, um ser criador de seres.
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4 comentários em “Homem

  1. Adorei seu texto. Traz uma força, uma força de homem e terra, uma dor misturada com bravura, uma tristeza doce, plangente, mas cheia de teimosia de viver. Belíssimo.

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